Sunday, March 05, 2006

Ao sabor de um acidente...

M não gosta de colocar o cinto de segurança... E mais do que não gostar de o colocar, acha que nada lhe acontece, no que é "protegida" pela mãe... O cinto não se coloca, a viagem é curta, entre a escola e casa - são pouco mais de duas dezenas de quilómetros, o que pode acontecer em tão curta distância?! Nada, claro... -, e é tão magrinha que qualquer "acidente" lhe há-de passar ao lado... Além disso, a gargalhada fácil, demasiado fácil por vezes, descansa qualquer pessoa - não é distraída nem mal-educada, é apenas muito bem disposta... Só que...

Numa manhã, naquela curtíssima viagem entre a casa e a escola, onde nunca iria acontecer nada, naquela curva feita diariamente, sem pressas nem velocidades excessivas, sem que nada de especial tivesse acontecido - estava sol, o carro que vinha em sentido contrário não estava em contramão,... ah, e claro que, como sempre, M não trazia o cinto de segurança colocado -, a viatura entrou em despiste, saiu da estrada, tombou num pequeno declive e M saiu disparada pelo vidro, não sendo, por muito pouco, esmagada pelo carro que capotou, ficando deitada na relva, desmaiada, apenas...

Há dias com sorte... mas irão durar sempre? Pergunto-me até quando irão M e a mãe lembrar-se do sucedido, exigindo a segunda que a primeira o coloque e a primeira colocando-o sem que seja necessária uma segunda ordem - ou até uma primeira, já agora...

Hoje, ao cruzar a mais recente ponte da minha cidade, ultrapasso um carro em que uma criança - teria, talvez, um dez, onze anos, não mais que treze... - ia autenticamente pendurada entre os dois bancos da frente, conduzido por alguém que já devia ter idade para ter juízo... mas os acidentes, esses, acontecem sempre aos outros, nunca a nós, tal como pensavam a M e a sua mãe...

ps E quando acabam em tragédia, em vez de se limitarem aos sustos?! Pois... torce-se a orelha mas já não deita sangue, não é?

Friday, March 03, 2006

Ao sabor de uma partida...

Ao fim da manhã de uma quinta-feira partiste. Partiste para uma nova etapa, para um novo espaço, para um novo desafio, talvez... Partiste, de certo, para novas pessoas que serão a tua família, agora... Que te darão mimos ou repreenderão, que acompanharão o teu crescimento e, provavelmente, as tuas asneiras, que te darão um abraço e chamarão a atenção...

E nós ficámos mais pobres! Mais pobres, porque tu és único, mais pobres porque olharemos sempre para o lugar onde estavas com alguma saudade e com alguma tristeza, com a sensação de perda, natural nestas ocasiões...

Levaste contigo aquela t-shirt - queixaste-te que estava grande porque querias vesti-la logo... mas podes usá-la na mesma! - que agarraste e aproximaste de ti... e levaste-nos a todos, nesse gesto... - mesmo que não queiras, tens de aguentar connosco!

A vida tem de seguir; e seguirá sempre, mesmo que nós não a queiramos acompanhar - por isso, mais vale mantermo-nos a par dela, não te parece?! E o melhor exemplo que podemos dar, que te podemos dar, é o de seguir em frente, tal como tu vais seguir, sorrindo, brincando, pregando partidas... É que, nestas "andanças", as partidas, as separações, são normais, naturais, obrigatórias a certo ponto... e esta terá sido apenas mais uma! Inesperada, e talvez por isso mais "dura", mas certamente melhor para ti...

Sorri, por isso, que nós, por aqui, vamos fazer o mesmo... e, entre um ou outro sorriso, de certeza que nos veremos por aí... onde calhar...

Até sempre!